A paixão do brasileiro por café dispensa longos discursos. Basta uma xícara para tudo melhorar, uma vez que ele anima o dia, reúne amigos, encerra o almoço em grande estilo. E faz bonito também na panela! Sim, o santo cafezinho pode ser encarado também como um ingrediente culinário. 

Além da versatilidade que a bebida pode agregar à receita, essa é uma artimanha que caminha com uma tendência mais do que necessária: combater o desperdício. “Sabe quem bebe mais café no Brasil? A pia! Incontáveis litros são jogados fora diariamente”, declara Eliana Relvas, uma das mais renomadas baristas do país. 

E para remar a favor dessa corrente, ao olhar as potencialidades dele, a bebida faz uma dobradinha com outro item muito amado no Brasil: a carne. “A veia aromática do café vai para a comida, assim como ele é um grande agregador de sabor e cor. E ainda faz brotar ou ressaltar nuances em uma comida”, comenta o chef Carlos Ribeiro, do Na Cozinha – A Casa do Picadinho, em São Paulo (SP). 

É, inclusive, o que acontece com a estrela que dá nome ao seu restaurante: o picadinho, que é servido com molho de café. E, claro, pode vir na companhia de arroz, feijão, saladinha, pastel, banana frita, farofa, ovo, todos os seus acompanhamentos clássicos. 

“Ele acompanha bem qualquer tipo de carne vermelha. É uma ótima companhia para assados, por exemplo, quando a ideia é ter um molho encorpado. Funciona também para dar aquela pitada nos pratos do dia a dia como o bife acebolado”, conta. 

E é muito fácil, basta ter um café bem forte: seja ele de coador, espresso ou de sua cafeteira de preferência. Já aos que querem preparar algo mais elaborado, Carlos deu um salto ao México e criou uma versão do Mole Poblano, um exemplar da autêntica comida desse país tão ímpar. “Classicamente, é uma receita preparada com chocolate e muitas especiarias. Fiz uma releitura incluindo café e algumas pimentas e temperos nossos”, conta ele.