Alemanha, cerveja e salsicha! Não dá para negar que são essas as associações tradicionais quando se fala do país germânico. Mas um mergulho na cultura nos mostra que eles têm algo muito típico por lá e que, por sinal, é um grande conhecido dos brasileiros: o churrasco!

Sim, é um clássico dos finais de semana, sobretudo o sábado, no verão. “É um almoço todo programado, no qual você vai às compras um dia antes, coloca as carnes para temperar com muita antecedência. Realmente, uma ocasião especial”, explica o chef Heiko Grabolle, alemão radicado no Brasil. “É bem diferente daqui, quando no meio de qualquer conversa, alguém fala ‘vamos fazer um churrasco’. Aí, passa no mercado e, rapidinho, a churrasqueira está acesa”, completa ele, que é responsável pelo Hotel Escola Senac, em Blumenau, Santa Catarina.

As diferenças começam pela matéria-prima principal, a carne. Nada de grandes peças como aqui: não existem para vender e nem são assadas assim. Heiko explica que, no churrasco alemão, ela tradicionalmente aparece de dois modos: bifinhos bem finos ou cubos de carne, ambos no espeto de bambu, podendo vir junto de legumes como pimentão e cebola.

Em comum, eles têm o mesmo segredo, o tempero. “É algo muito particular e que dá a identidade do churrasco feito na Alemanha. E a base é de um mix que pode levar páprica doce e picante, pimenta-do-reino preta e branca, semente de mostarda, sal, ervas frescas e secas, alho e cebola”, conta ele. Veja a receita do bife bovino de churrasco alemão, conhecido como rindersteak.

Outros sotaques podem ser adicionados – é o caso do curry quando é para dar um toque indiano, shoyu para a pincelada asiática e abacaxi quando a pedida são nuances tropicais. “É coisa de ficar pegando gosto nessa mescla de sabores de um dia para o outro. Por isso que precisa ser uma refeição planejada bem diferente do Brasil, que é jogar sal grosso e colocar a picanha inteira na brasa”, comenta o chef.

A vitela é a estrela do churrasco alemão, por conta do inverno rigoroso que inviabiliza muito tempo o rebanho no pasto. Dela, os cortes mais usados são alcatra, fraldinha e coxão mole. Mas, em solo brasileiro, Heiko diz que dá para fazer adaptações para os cortes bovinos tradicionais. “Coxão mole, alcatra, patinho e lagarto para os bifes, que na Alemanha são chamados de steak, mas nada tem a ver com a versão americana de 250 gramas; já para os espetos dá para ir de filé mignon e contrafilé”, sugere.

Assar não necessariamente precisa ser com carvão – lá usa-se muito grelha elétrica ou a chapa a gás. E, no quesito acompanhamentos, saem arroz e farofa, e entra a indispensável batata da cozinha alemã, servida de muitas maneiras. “Cozida, gratinada, na chapa, purê, assada no papel alumínio…”, conta Heiko. Na mesa também não podem faltar os salsichões, as carnes suínas e é muito comum servir tudo isso com tomate, pimentão e cogumelos grelhados, saladas de maionese com macarrão, beterraba com nabo, rabanete, repolho. E a festa termina com sorvete com frutas vermelhas cozidas em calda de açúcar.