Trata-se do assunto do momento no quesito carnes: carne maturada. Mas, quais são as premissas e as características de um produto que passa por tal processo? “A técnica, além de deixar a carne com textura mais macia, pode agregar novas notas ao paladar, como nuances amendoadas, de lácteos e de charcutaria”, explica Carlão Carvalho, chef especialista em carnes. 

E tudo isso é despertado por meio de uma enzima da própria carne, que vai rompendo as fibras, sem que haja intervenção química alguma. Processo esse que inicia somente sob determinadas condições bem específicas e que faz com que esse universo se divida em dois. 

Wet-age é a maturação úmida, no qual a peça embalada a vácuo vai para a câmera fria – e não para o congelador – sob temperatura controlada em torno de 0 a -1C. Dura, em média, 21 dias, podendo oscilar para cinco a mais ou menos, dependendo do objetivo desejado. É a mais comum e já figura há mais de 15 anos no mercado. “Alcatra e picanha são os cortes mais indicados aqui. No campo dos acompanhamentos, purês ou farofas. A grande sacada é não mascarar o produto, porque ela é a estrela e por isso, é quem precisa aparecer. É carne com sabor de carne e que recebe temperos básicos: sal e pimenta”, explica Carlão.

Já o dry-aged é quando a técnica acontece a seco, com controle absoluto de três quesitos: temperatura, ventilação e umidade, que vão variando de acordo com o objetivo e os estágios do procedimento. Mais comum nos Estados Unidos e na Europa, desperta muitas curiosidades, mas é um processo caro e em estágio de experimento hoje por alguns chefs do Brasil.